Os provedores de data centers em nuvem como o Facebook, Amazon, Google e a Apple, o chamado GAFA, mudaram drasticamente a dinâmica da indústria de componentes ópticos nos últimos anos, e essa influência tende a aumentar. Eles se destacam como uma categoria própria, os chamados data centers hiperescala, que tenderão, no futuro, a concentrar toda a capacidade de computação disponível na face do planeta.

Além de se diferenciar pelo tamanho, a arquitetura de rede, hardware e automação via software, possuem características que levam a custos mais baixos e eficiência energética, demandas constantes da indústria de tecnologia.

Este é um desafio para os fornecedores dos data centers hiperescala. Estes poucos clientes compram uma classe de equipamentos completamente diferente dos clientes de data centers tradicionais, fazendo com que os fabricantes de equipamentos de data centers continuem a desenvolver versões cada vez mais eficientes dos seus produtos. Apesar de ainda serem uma minoria, são o segmento de data center que mais cresce, devido a grande procura por parte dos cloud providers. Segundo estudos do Gartner, trata-se de um mercado de 5 bilhões de dólares, e representará 24% do mercado em 2019.

Atualmente, o faturamento dos provedores de cloud computing, que tinha recuado 9,6% em 2015, cresceu 5,6% em 2016 e deve crescer 19,6% neste ano, conforme estimativas do Gartner.  A explicação é que as empresas estão evitando gastar com a compra de servidores, manutenção e atualizações de equipamentos de infraestrutura. Desta forma, colocar os dados na nuvem é uma alternativa para reduzir custos rapidamente.

Esse efeito GAFA está sendo ampliado pela tendência chamada Cloud 3.0, onde tudo é entregue “como um serviço”. Os centros de dados em nuvem estão se movendo para um ambiente onde os clientes não veem mais os servidores; seus aplicativos são executados pelo mecanismo de controle e podem mudar de zonas ou regiões sem que o cliente perceba qualquer coisa.

Os clientes do hiperescala são mais exigentes. Eles não querem os mesmos serviços que os operadores de data centers corporativos tradicionais oferecem. Eles requerem maior capacidade computacional para armazenar dados de carros elétricos, biometria a aplicações para serviços de saúde.

Pense em 2010 quando o Google disse que precisava implantar 100G dentro de seus data centers rapidamente. Ele patrocinou o acordo multissetorial 10×10 Multisource Agreement (MSA) para links de 2km como uma alternativa ao IEEE’s 100 Gigabit Ethernet 100G-Base-LR4, que foi baseado em tecnologias que estavam mais longe de prontidão comercial. O 10×10 foi uma abordagem transitória; Foi um dos numerosos módulos ópticos MSAs desenvolvidos para 100G de alcance óptico dentro do data center.

Hoje, várias opções já estão sendo desenvolvidas em torno de taxas de dados de próxima geração dentro de data centers. Google e Microsoft estão considerando uma mudança para o 200G dentro de seus data centers. Usando tecnologia que está prestes a ser lançada comercialmente – quatro canais a 50Gb / s com modulação PAM-4 – as empresas de cloud poderiam economizar uma energia considerável por bit. A dissipação de energia do módulo 200G é de apenas 4,5W, em comparação com 3,5W da parte 100G.

O Facebook, por outro lado, não vê nenhuma necessidade de dar um passo intermediário, e está planejando migrar direto para 400G quando a tecnologia estiver pronta, saltando do 100G direto para redes com capacidade quatro vezes maiores. A fragmentação do mercado é um problema para os fornecedores de componentes ópticos. Uma vez que os componentes que estão sendo desenvolvidos são muitas vezes “nuvem específica”, eles não têm uma aplicação fora desse espaço. Para alcançar margens de lucro confortáveis, os fornecedores de fibra óptica precisam desenvolver produtos para um segmento de aplicação mais amplo do que apenas um cliente, mesmo que seja para um hiperescala.

 

*Rudinei Santos Carapinheiro é diretor de novos negócios da Skylane Optics

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